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Urbanizar é muito mais do que parcelar áreas.

A ONU estima que 6 em cada dez pessoas, do mundo, deve morar em áreas urbanas até 2030. As cidades ainda ocupam, apenas, 2% do total da área disponível no mundo, entretanto consomem 60% da energia, emitem 70% dos gases e geram 70% dos resíduos sólidos existentes no nosso planeta. Com a tendência de aumento deste processo de urbanização, o planejamento urbano se coloca como primordial, tendo em vista cidades sustentáveis, funcionais e responsáveis socialmente.

“Enquanto na Europa as cidades se desenvolveram ao longo dos séculos, no Brasil ocorreu de forma muito ligeira”, segundo Nívea Oppermann, da ONG WRI Brasil.

Nesse desenvolvimento ligeiro, de 1960 a 2010, a proporção de brasileiros em cidades saltou de 44% para 84%, sendo hoje a quarta maior população urbana do mundo.

Este fato fez com que as cidades se tornassem muito expandidas, inchadas, por meio de aprovação de empreendimentos sem que atendessem às condições mínimas de infraestrutura, além das ocupações ilegais e invasões, sem a possibilidade da criação, implementação ou adequação de um plano de desenvolvimento urbano (PDU) para uma nova realidade, assim como a fiscalização não acompanhou a velocidade e transformação dos acontecimentos.

Com tudo isto, observa-se que, para aproveitar o momento da expansão, a aprovação de empreendimentos sem atendimento à necessidade mínima de infraestrutura necessária, incluindo nisso a inexistência de equipamentos públicos, escolas, centros de saúde e creches, por exemplo, fez com que houvesse um acumulo de outras unidades distantes, tornando o atendimento precário em todos os serviços públicos, principalmente coleta de lixo e transporte público, promovendo assim o aumento das distâncias dos deslocamentos e, consequentemente, o aumento desproporcional da frota, gerando engarrafamentos e índices de poluição muito elevados, comprometendo as questões de sustentabilidade, pois o impacto causado pela implantação desses empreendimentos afetou drasticamente o meio e a vizinhança, além de boa parte das questões de responsabilidade social, retirando dos habitantes o orgulho no morar.

A necessidade da adequação dos PDU´s dos municípios, tem que atender as necessidades dos empreendedores, mas não pode deixar à parte as questões de sustentabilidade, que transcendem a plantação de grama e, responsabilidade social, pois só assim podemos retomar o orgulho em morar, por parte dos consumidores, que, no meu entender, é a principal razão do que se chama “crise”, potencializada pela atual situação política que atravessamos, responsável maior pela instabilidade atual.

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Jorge Ferreira
Autor

Jorge Ferreira